Crônicas

Por que falar de amor?

Por que falar de amor? Por que falar do amor?

Tantos versos já eu sei… Versos que foram escritos e vistos e sentidos com bocas e ouvidos, com café ou sem café, mas com açúcar e afeto?

Por que falar de amor? Por que falar do amor?

Tantas linhas e parágrafos já eu sei… Linhas que foram exaustivamente escritas e revistas com precisão do olhar? E que amor é esse?

O amor falado, escrito, sentido, ralado, confessado, absolvido e absorvido em todos os níveis e instâncias possíveis!

Há uma necessidade urgente em se falar de amor num mundo confuso e acelerado. Há uma eletricidade na escrita que não cala e que não espera e impõe falar do amor no meio das balas cruzadas, entre os mendigos da esquina e o preço da gasolina.

Por que falar de amor? Por que falar do amor? Porque entre os beijos dos amantes há a mensagem que paralisa todos os instantes: ele, o amor, entre os farrapos da guerra e os corpos tombados é o melhor de nós no meio do pior de nós.

O amor é o risco, o rabisco, o mergulhar entre nuvens e imensidão.  O amor é o silêncio entre a gritaria, é a desejada alegoria… Mesmo sendo fiapo de coração.

E essa poesia no meio da prosa é a constatação…

De que no meio do vendaval, do temporal, do trânsito caótico, da política canalha, dos bueiros e cracolândias, do veneno nas plantas, da sirene, da corrupção, do descaso com a vida, da cegueira que imobiliza, da superficialidade das redes sociais, dos influenciadores que se acham os tais…

No meio de tudo isso, o amor resiste e insiste e teima e lima e abre brechas e fendas dentro da gente só pra lembrar que é preciso sentir.

Esta crônica meio poema fala de amor porque esse sentir resiliente nos mostra que dentro do turbilhão é ele, o amor, que nos mantém humanos.

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

Um comentário

  1. Muito bem falado , o amor é tudo , sem amor não somos nada .
    Pena que o amor hj em dia, a cada dia que passa está acabando…
    E o respeito também , estudante com professor , filhos com pais …
    É uma pena , na época que não existia a chamada internet todos eram mais felizes..

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